Quem sou Eu?

Eu me chamo Danilo, apesar de que espiritualmente assumo o Motto de Frater Hanuman, e assumo este Motto por conta de eu ver nessa figura uma representação simbólica daquilo que foi (e é até o momento) a minha caminhada no ocultismo como um todo. Após ler a história que se segue você conseguirá compreender os motivos da escolha deste nome.

A história começa quando eu tinha 12 anos de idade, na época em questão eu havia acabado de ser batizado na igreja evangélica, e graças a esse episódio eu decidi por começar a estudar filosofia pois eu pensava que seria uma forma de eu me aproximar de Deus, na época comecei lendo o Mundo de Sofia, a consequência de ter feito isso foi eu acabar virando Ateu e perdendo a fé por completo nas escrituras. Naquele momento eu apenas olhei para o cristianismo de forma lógica e decidi que não serviria para mim sob hipótese alguma, contudo ainda havia um problema, eu não conseguia achar explicações para alguns fenômenos que ocorriam em minha vida, fenômenos esses o qual eu considerava simplista demais as respostas do ceticismo dizendo que se tratava apenas de “problema mental e esquizofrenia”, no caso os fenômenos eram dois:

  • Sempre que eu ia dormir e sonhava, os sonhos se manifestavam ao decorrer da vida nos dias seguintes
  • Me ocorreu em diversos momentos de ver figuras que definitivamente não pareciam ser reais/fisicas no dia-a-dia

Graças a isso eu percebi que o mero ateismo não seria o suficiente pra mim, então decidi por pesquisar melhor sobre assuntos de espiritualidade, e na época eu encontrei sobre espiritismo kardecista e sobre viagem astral, e logo quis tentar e surpreendentemente eu consegui com facilidade naquele período (e que saudades de conseguir fazer isso com facilidade, hoje em dia é praticamente impossível pra mim).

Na época eu amei o que eu havia descoberto, mas havia um problema, eu achei o kardecismo terrivelmente cristão, sem contar que ao meu ver havia diversos furos nas teorias de Kardec, graças a isso eu decidi por buscar sobre outros assuntos. Coincidentemente naquele mesmo momento eu conheci um rapaz que era da Wicca e me apresentou a religião em questão, inicialmente fiquei encantado ao extremo com a possibilidade de fazer feitiçaria, lembro de uma ocasião em que era noite de lua cheia, acendi uma vela e fiz uma corda de bruxa no meu quintal e fiquei maravilhado ao simplesmente ver o pedido se manifestar (diga-se de passagem, assim como hoje em dia não consigo fazer viagem astral com facilidade, também sinto saudades de conseguir fazer feitiçaria com facilidade assim).

Contudo na época eu vi um problema na prática da wicca, eu não conseguia me sentir conectado com a ideia de ciclos de natureza (anos mais tarde eu percebi que parte dessa sensação se deu por que não me questionar o que é natureza em si, tanto externa a mim quanto em mim mesmo), mas de qualquer modo, graças a isso eu larguei a wicca após 3 anos.

Aos 15 anos quando eu comecei o ensino médio eu conheci um blog (que hoje já não existe mais, infelizmente), chamado Spectrum Goth, na época eu conheci esse blog pois eu queria buscar por bandas de darkwave para ouvir e queria recomendações (diga-se de passagem, esse blog moldou todo o meu gosto musical atual), no entanto esse blog tinha umas seções especiais, seções voltadas a literatura gotica e ao ocultismo, lembro que ali eu tive meu primeiro contato com Eliphas Levi e Papus, algo que obviamente, na época eu não entendi nada, porém foi ali também que eu tive meu primeiro contato com livros sobre Magia do Caos

Logo de cara magia do Caos me chamou a atenção pois:

  • Não tenta explicar uma cosmologia de como funciona a espiritualidade do universo
  • A parte ética e moral fica a cargo de reflexão totalmente do individuo
  • Trabalha muito com o impacto dos simbolismos e a possibilidade de ressignificação de seus significados
  • A forma de execução do trabalho mágico é simples, não exigindo gastos financeiros

Lembro que me apaixonei pelo conteúdo, e de bônus na mesma época eu conheci um podcast chamado Vortex Caoscast (que hoje em dia também não existe mais), o qual me ajudou a estudar melhor sobre o assunto durante um bom tempo de minha vida.

Mas por mais que eu tivesse gostado, ainda sentia que faltava algo, sentia que não existia um proposito ali (e de certa forma, realmente não existe), e graças a isso eu sentia que faltava algo mas que eu não sabia descrever o que é. A história muda no momento em que, aos 17 anos, eu conheci um grupo fechado de praticantes de hermetismo, não citarei o nome do grupo aqui pois realmente era um grupo de nicho, mas graças a esse grupo eu comecei a enxergar o ocultismo não como algo que serviria para explicar qualquer coisa do universo espiritual (algo que eu estava fazendo de forma errônea desde quando deixei o cristianismo), e sim que o ocultismo serviria para eu conseguir compreender o que era eu mesmo e como isso realmente afeta a minha realidade como um todo.

Apesar deste grupo ter sido de extremo impacto sobre como eu poderia visualizar a espiritualidade como um todo, as consequências de ficar ali foram bem pesadas comigo, o “lance” de ter visões e sonhos aumentou ao extremo após entrar nessa ordem, chegando ao patamar de eu ver criaturas estranhas nas paredes de meu quarto, ter sonhos onde eu sentia que não conseguia acordar e que sempre estava fazendo alguma espécie de “missão”, e isso foi ficando cada vez mais pior pois eu comecei a sentir a região do centro da minha testa queimando por dias, e em dado momento eu já não conseguia mais lidar com isso. Graças a isso (e outros motivos que não cabe comentar neste relato), eu sai dessa ordem em pouco tempo, não cheguei a ficar nem um ano, e ao pedir para sair eu tive um ultimo sonho, nesse sonho especifico eu via uma pessoa dessa ordem me colocando dentro de uma torre no meio do nada, e eu não conseguia sair, após eu ter esse sonho, eu não consegui mais voltar a ter visões, a praticar feitiçaria ou qualquer coisa espiritual, me sentia simplesmente “desligado”, e esse desligamento perdurou 4 anos ao todo, até que tudo mudou quando eu comecei a estudar a astrologia Hindu, dentro dela eu li sobre a possibilidade de usar “remédios astrologicos”, que nada mais seriam que mantras que se recitados por uma certa quantidade de vezes todos os dias por uma certa gama de tempo, vc conseguiria corrigir alguns problemas de seu mapa astral. Na época eu não praticava nenhuma forma de espiritualidade e me sentia mais perdido do que tudo, então decidi por recitar o mantra de Saturno todos os dias por 30 dias

Ao termino do ritual eu tive uma visão (a primeira em anos), onde eu me encontrava em cima de uma barca que passava por um rio de lava dentro de uma montanha gigantesca, e nessa montanha havia vários buracos com poças de água, quando eu olhava a distancia para cada poça eu via alguma parte de minha vida, partes o qual se repetiam todos os anos, partes o qual eu não havia reparado que se tratava de padrões de comportamento que moldavam minha vida como um todo, seja em estudos, amor, trabalho, amigos, tudo vivia se repetindo em ciclos, e graças a isso eu reparei os motivos pelo qual lá no passado eu havia considerado a magia do caos vazia pra mim, o motivo era simples: eu usava de magia somente para atrair mais e mais coisas pra mim, mas nunca para lidar comigo mesmo (o que já resolveria boa parte das “coisas” que eu tentava atrair como um todo).

Eu focava tanto em efeitos magicos, feitiços, “energias”, que esquecia o que era o mais importante para o meu trabalho espiritual: eu mesmo.

Lembro que após esse ocorrido, voltei a contatar um velho amigo que fazia anos que eu não conversava, e falei para ele sobre a experiência que tive, e após falar, ele me recomentou a leitura de um texto de uma religião chamada Thelema, o texto se chamava Liber Librae, e logo de cara eu fiquei fascinado com uma frase em especifico:

“Um homem é aquilo que ele faz de si mesmo dentro dos limites fixados por seu destino herdado;

Com isso eu percebi, o meu trabalho espiritual não se desenvolvia sob nenhum aspecto pois eu não entendia os limites e a capacidade de minha própria natureza.

Graças a este dialogo eu aceitei entrar na ordem que esse amigo é membro, a chamada ordem dos caveleiros de Thelema, instituição essa o qual me proporcionou uma dose de aprendizado sinistra sobre ocultismo e filosofia em geral, mas que no entanto após 3 anos eu decidi pelo desligamento, não por conta da ordem em si, até porque eu cultivo um carinho e respeito imenso por tudo que aprendi nela, mas por conta da percepção de que o que eu busco como individuo talvez precise ser buscado em meu próprio caminho, de meu próprio modo…

O Motto de Hanuman se deu por conta de que assim como o Deus macaco, eu tentei pular de galho em galho para abarcar tudo, até que em dado momento após me ferir tentando fazer isso, percebi que eu deveria apenas pular em mim mesmo e encontrar o mundo em minha individualidade.


Comentário aleatório:
Escrever a sua própria biografia é mais cansativo do que eu imaginava que seria, assumo que na parte final do texto eu deixei de escrever sobre diversos pontos unicamente pela preguiça de seguir escrevendo um texto tão grande, digo isso pois não citei como (e por que) eu conheci a Quareia e o Zos Kia, e qual motivo adotei os dois sistemas como prática espiritual.